letras manchadas de sangue,


                                frases esquartejadas,


                                                        espalhadas pelo chão...




sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Fervorosa e o Libertino - Parte 1 de 2


Eram quase dez horas da noite e Álvaro sabia que Rose chegaria a qualquer momento. Os dois garotos estavam deitados no sofá, espalhados. Ele estava sentado no único espaço que havia sobrado. Assistiam a um filme com cenas de sexo e violência, sabiam que a mãe não aprovaria. Estavam há pouco concentrados em uma cena de sexo selvagem entre os protagonistas, mas agora só havia tiros e sangue jorrando na tela. Álvaro pouco olhava para a TV, e sentiu que Rose se aproximava da porta. Droga. Sempre no meio do filme. Ouvindo o destrancar da porta os garotos se ajeitaram no sofá, mas não dava mais tempo de trocar o canal.

Oi mãe. Sim, já fizemos o dever. Sim, já tomamos banho. Sim, já jantamos.

A mãe parou em frente à TV para ver o que estavam assistindo. Meteu o dedo no botão e desligou o aparelho. Já para a cama! Já disse que não quero filme de violência dentro dessa casa.

Álvaro nada podia fazer. Em outras ocasiões ele poderia procurar outra casa onde estivessem assistindo ao mesmo filme. Mas este não valia o esforço. Os garotos escovaram os dentes e foram para a cama, sem dizer uma palavra.

Dez minutos depois de Rose chegar não se ouvia nenhum ruído na casa. Ela seguia sua rotina de todo dia e Álvaro a acompanhava em todos os passos. Na cozinha um copo de água, uma olhadela nas panelas, restos para o lixo ou para a geladeira. Uma passada no quarto dos garotos para conferir se já estão dormindo. Outra olhadela na sala para verificar se tudo está em ordem. Enfim, em casa.

No quarto, depois de trancar a porta, Rose tirava seu uniforme de trabalho. Cada peça despida era dobrada e colocada sobre a cômoda, cuidadosamente. O grande momento, que Álvaro esperava todo dia, era quando Rose terminava de colocar sua blusa sobre a cômoda e começava a desabotoar a saia. Ele se transformava. Gritava, ululava e dançava ao redor dela. Dava vivas, rodopiava e fazia reverências à Rose, tamanha era sua alegria. Álvaro considerava a saia como o símbolo de toda a fervorosidade religiosa de Rose, e, assim, quando ela tirava a saia, estaria tirando de sí tudo aquilo que ele não aprovava. Nem mesmo quando ela ficava inteiramente nua ele ficava tão extasiado. Ela, sem saber de nada, continuava a se despir, tirando cuidadosamente cada peça, dobrando e colocando sobre a cômoda.

Depois de ficar nua, ela então vestia o roupão e seguia para o banheiro. Ele, como sempre, estava um passo atrás.

Rose era uma moça bonita, mas escondia sua beleza atrás de saias compridas e roupas largas. Também não usava maquiagem e aparentava ser muito mais velha do que realmente era. Álvaro, que a conhecia melhor do que ninguém, achava tudo aquilo um desperdício. Imaginava a moça em vestidos curtos, justos e decotados, usando maquiagem e sapatos de salto alto. Mas, para seu desespero, ela fazia exatamente o contrário e completava seu visual com um acessório que ele detestava: uma bíblia à tira-colo.

Clique aqui para ler a parte 2 de 2.

0 comentários:

Postar um comentário