letras manchadas de sangue,


                                frases esquartejadas,


                                                        espalhadas pelo chão...




sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Fervorosa e o Libertino - Parte 2 de 2

Esta noite, como em toda sexta-feira, Rose passsaria um bom tempo na banheira. Era a chance semanal de Álvaro, o único momento em toda a semana em que os dois passariam algum tempo juntos. Na banheira, a sós, no silêncio da noite, Álvaro acreditava que suas investidas poderiam surtir algum efeito.

Rose encheu calmamente a banheira, medindo a quantidade de água fria e quente. Tirou da bolsa um frasco e jogou na água um pequeno fio de um líquido azul. O cheiro do perfume se espalhou pelo banheiro. Álvaro sorriu, animando-se com a novidade.

Ela entrou vagarosamente na banheira. Pôs uma toalha enrolada atrás do pesoço e deitou a cabeça sobre ela. Fechou os olhos e deixou o corpo imergir devagar na água quente. Álvaro, claro, entrou junto com ela na banheira, colocando-se de frente.

Enfim chegou o momento pelo qual Álvaro esperou por tanto tempo. Em noites anteriores já havia tentado falar, dialogar e gritar, sem sucesso. Tentou também reproduzir vozes, sons, palavrões e infinitas outras coisas na mente de Rose, sem nenhum sinal de sua contraparte.

Porém, nesta semana, ele repetiria uma técnica que teve algum resultado na última tentativa, mas que ele não teve tempo de executar de forma satisfatória.

Álvaro começou a imaginar uma cena de amor entre ele e Rose. Começou por se imaginar tocando o braço dela, acariciando sua pele, subindo até o pescoço, um abraço, um beijo ardente. Ele colocava toda sua força no pensamento e imaginava as cenas mais excitantes que pudesse conceber.

Neste momento, um arrepio subiu pelo corpo de Rose. Quando Álvaro percebeu que algo estava acontecendo, imaginou cenas ainda mais tórridas. Imaginou posições do Kama Sutra, os sons e os cheiros do sexo, as sensações de beijos, carícias e mordidas pelo corpo. Rose trouxe uma das mãos para junto do corpo e tocou um dos seios, respirou fundo. Álvaro mal conseguia acreditar no que via. Ele continuou com seus pensamentos, agora cada vez mais explícitos: a sensação da felação, de corpos se tocando, do gosto e do cheiro de uma mulher excitada. Rose levou uma das mãos à parte interna da coxa, e começou a acariciar seu corpo por entre as pernas. Álvaro não conseguia se conter. Rose respirava rápida e profundamente, e erguia seu corpo para a frente e para trás, suas mãos trabalhando. Seus gemidos se misturavam com o barulho da água que caía da banheira com a agitação. Álvaro arregalou os olhos, não precisava mais pensar sacanagens e não conseguia tirar os olhos de Rose, que libertava toda a fúria e o desejo que estavam reprimidos em seu corpo.

Então, no ápice dos gemidos e do calor, Rose se contorceu, erguendo seu corpo para fora da água e soltando um grunido de prazer. O corpo estremeceu e se soltou na banheira em seguida. Álvaro, que observou espantado toda a cena, ficou imóvel, pasmo. Depois de alguns segundos, ainda não acreditando no que havia presenciado, soltou uma sonora gargalhada. Eu disse que ia ser gostoso, sua malandrinha! Eu disse pra você!

Rose abriu os olhos e esperou que sua respiração voltasse ao normal. Olhou para o chão molhado à sua volta enquanto se levantava da banheira. Vestiu o roupão, abriu a porta e deu uma espiada para fora. Tudo quieto. Não, ninguém havia percebido. Suspirou. Fechou a porta, tirou de novo o roupão e voltou para a banheira.

Álvaro fitou os dedos de Rose sob a água, que procuravam o mesmo lugar entre as pernas. Preparou a mente para relembrar outras sacanagens e outras sensações de prazer. Havia conseguido finalmente o que queria. Soltou uma nova gargalhada, em êxtase. Esta noite vai ser longa, minha querida! Eu sabia! E vai ser uma noite deliciosa! Ah, se vai! Vamos aproveitar, sua safada!

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